Tenho tanto pra falar, mas acabo sempre calada. Quero fuçar a minha jornada, desde o começo... Não sei se é fácil olhar pra trás e lembrar das emoções com a precisão de sentir, mas sinto tanto a necessidade de compartilhar. Acho que o jeito é ir devagar, deixar tudo vir como quiser e explorar tudo vez por vez...
Tenho que ir pro ano passado... Que ano... Que começou tão ruim e terminou milagrosamente bom.
Ano passado quase morri. Não tem jeito de dizer bonitinho. Foi uma experiência terrível, mas que me fez tomar os caminhos que deveria ter andado há muito tempo.
Comecei no começo do ano sofrendo de vertigem aguda, que me fez andar de quatro em casa várias vezes. Com duas crianças pequenas não foi fácil. Acabei indo pro Brasil em Abril, pois 4 meses de saúde pública na Inglaterra não me ajudaram em nada. Troquei de anti-depressivo, e a vertigem foi embora.
Pensava eu que tinha me livrado da coisa ruim, quando outra pior apareceu... Comecei a ter dores agudas no peito, quando andava, até quando me deitava. Um mês depois de tentar ignorar a dor, comecei a ficar com medo e acabei procurando os médicos aqui do UK. Disseram-me que estava com angina e que precisaria de mais investigação. Teria que esperar a chamada pro exame. Bom, isso foi em Maio... Junho piorei muito. Cheguei a ser internada, mas nada aconteceu. Fui a maldita GP três vezes, disse que estava morrendo, que não podia subir a escada pra ir ao banheiro sem o spray debaixo da língua, que demorava mais de 2 horas pra dormir, pois a dor aguda no peito não me deixava deitar. Com promessas de rápida resolução, eu voltava pra casa pra esperar a chamada pro exame. Esperei em vão...
Quando chegou a hora de ir pro Brasil e já fui com cardiologista marcado. Cheguei dia 18... Dia 22, quando fui fazer o cateterismo pra saber o que estava errado, os médicos decidiram alí mesmo fazer a angioplastia, pois 98% de uma das minhas principais artérias estava bloqueada. Eu sobrevivi por causa de Deus e de 2%...
Bom, depois dessa maluquice toda eu decidi fazer a redução do estômago. Fiz uma gastrectomia vertical, na qual foram retirados 3/4 do meu estômago. Isso depois de 40 dias depois da minha angioplastia.
Meu marido, Bill e as crianças tiveram que voltar pra Inglaterra, então passei pela gastrectomia, com a minha família no Brasil, mas sem a MINHA família... Isso foi uma barra, principalmente por que eu quase disse adeus depois da primeira cirurgia. Por causa da medicação que estava tomando pro coração, eu corria risco de hemorragia... Guess what? A hemorragia aconteceu e um dia depois da primeira cirurgia, eu tive que voltar pra mesa de operação.
Bom, esse é a parte difícil de tudo... É quando vc tem que tomar a decisão e passar pela parte mais "prática" do processo: a operação, as semanas de dietas líquidas e pastosas, a sensação de que não dá pra comer nada, etc.
Eu já estou um pouco mais a frente desse processo, e com certeza vou revisitar momentos que passei no Brasil e que passei aqui na Inglaterra também.
Só sei que estou aproveitando a viagem, e me sentindo uma vitoriosa, cheia de saúde...
OUT WITH THE OLD, BRING ON THE NEW!!!!
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